quarta-feira, outubro 01, 2008






“(...) Sei como é quando o nosso sangue acompanha exactamente o ritmo da pulsação de um homem, quando não conseguimos pensar em nada, excepto que ele está ao nosso lado. Só queremos estar a sós com ele, para sempre. Só nos lembramos do calor acetinado dos seus lábios, do voo das suas mãos sobre nós, como melros, do aroma selvagem e espinhoso do seu corpo que é diferente de todos os outros. Vivemos antes de ele aparecer? Não sabemos. Só sabemos que, se não voltarmos a vê-lo, morreremos. (...)”



in Irmã da minha alma de Chitra Divakaruni

Etiquetas:

domingo, setembro 21, 2008



“Uma pessoa habitua-se a que as coisas fiquem mais difíceis; uma pessoa deixa de se surpreender que as coisas extremamente difíceis fiquem ainda mais difíceis.”


in A Desgraça de J.M. COETZEE

Etiquetas:

segunda-feira, junho 25, 2007





"(...)
Sinto o vento, respiro o silêncio, interrogo o ser. Penso de uma outra maneira.
A natureza é um templo a que aquele santuário nos conduz.
Nela, nele, o milagre. O milagre do Senhor dos Milagres. O mistério, afinal.
O mistério é, de uma só vez, o vazio silencioso do abismo e a plenitude impenetrável da floresta: o vale, a sombra, o horizonte, o longínquo, a bruma. O mistério está na sedução do corpo e na inacessibilidade da alma; na voz, no olhar, no gesto, na paixão. O mistério é a natureza, o universo, Deus e o Ser. O mistério não pode ser visto, ouvido ou dito. Quando muito, tocado. O mistério é-o na exacta medida em que a sua expressão já não o diz, ou seja, ele escapa-nos a partir da sua e da nossa própria voz.
Dizer o mistério é o mesmo que o declarar, logo, é o mesmo que destruí-lo. Não o podemos possuir porque não o podemos desvendar um só instante. O mistério não se deixa ver: se o víssemos, ele cegava-nos antes de destruir a sua condição.
O mistério arrasa-nos e motiva-nos. Ele é enorme, incomensurável até, mas é também belo e envolvente. Surpreende-nos. Pode, então, atrair-nos como uma vertigem. Mas, perante o mistério, mesmo quando agimos, contemplemo-lo. O mistério torna-nos místicos.
(...)"


Carvalho, Adalberto Dias de (2000). A Contemporaniedade como Utopia. Porto: Edições Afrontamento.

Etiquetas: