quarta-feira, outubro 22, 2008

ao vento dentro de mim





que bom
ouvir-me outra vez
sentir-me outra vez



que bom
ter acordado mesmo que sem ninguém
a meu lado



ai mas que bom
dizer o que tenho para dizer
mesmo que seja ao vento



ah é tão bom
o desejo de querer dar
mesmo na ignorãncia de alguém receber



que bom
não sei se já tinha dito
ando um pouco esquecida



que bom dizia eu
o travo da vida
enlaçado no mar dos teus lábios



que contemplo
sinto no fundo de mim
com ondas de inquietude



já disse
que bom...?

Etiquetas:

quinta-feira, abril 17, 2008





vejo o teu corpo estendido
na outra margem
por ele passam
mulheres e homens
velhos e crianças
putas mendigos e drogados



amante tantas vezes
amado e odiado
nesses teus braços eu
dancei chorei caí
morri e renasci
e do cimo das tuas coxas
envolta em neblina
eu gritei sou tua
sou tua
sou tua




nesta hora temida
mas não distante
tudo me afasta
da tua boca
que sem vezes me engoliu




carrego o teu corpo
nos meus olhos




adeus!...

Etiquetas:

quarta-feira, junho 20, 2007





as memórias passadas transportam-se em rios de água




a água fresca da fonte traz até mim novos sentidos...

Etiquetas:

quinta-feira, maio 24, 2007





olhar nem sempre é ver
caminhar nem sempre quer dizer em frente
respirar nem sempre quer dizer viver
comer nem sempre quer dizer ter fome
beber nem sempre quer dizer ter sede
(...)
dizer amo-te nem sempre quer dizer amar



como sempre ouvi dizer
palavras leva-as o vento
e que lhe façam bom proveito
[risos] [risos] [risos] [risos] [risos]



e ficam a cada um de nós
os gestos que têm para connosco
os gestos que temos para com os outros

Etiquetas:

terça-feira, maio 22, 2007






No limite do caos existe sempre uma praia...




Etiquetas:

segunda-feira, maio 07, 2007







Um pássaro pousou no meu sorriso e deixou-o cair e parte incerta. No seu lugar deixou rios, mares, oceanos, uma água que não pára de sair de mim na inconstância das horas que me povoam. Nunca aprendi a nadar e por isso afogo-me nesta água turbulenta, restando-me esbracejar e tentar respirar no pouco espaço que me resta. Procuro um farol das raras vezes que a minha cabeça vem à superfície mas alguém se esqueceu de deixar ali esse farol...

Etiquetas:

domingo, abril 22, 2007




um grito mudo vagueia
da minha boca fechada
para o limiar imprevisível da alma
soçobrada pelos cantos dos dias
porvir nas paredes dos teus olhos



e a sombra do que fui projecta-se
no arrebatamento das contrariedades



a dor embala-me nos seus braços...

Etiquetas:

quinta-feira, abril 19, 2007






a estranheza da vida
estrelaçou-se nas minhas entranhas

Etiquetas:

terça-feira, abril 17, 2007





o teu silêncio mata-me por dentro
o meu silêncio esse então é atroz



o abraço que te quero dar mas não dou
a mão que te procura e não te encontra
o meu olhar que foge obstinadamente do teu
esganam-me a alma sobressaltada



é aquele sentimento que não encontra
o teu porto na tempestade dos oceanos



é a chuva que não pára de sair de mim

Etiquetas:

quarta-feira, abril 04, 2007




a acácia no verão devora a terra
lamentando a cor das suas folhas
na vã tentativa do seu lamento
alimentar com água a árida terra



a acácia no verão grita aos céus
na esperança dos seus clamores
fazerem tremer as impávidas nuvens
que pairam sobre as nossas cabeças



lamentos
gritos
choros
tremores
sensações desertas
terra infértil
céu electrico



a acácia no meio do círculo
tumultuoso das ondas do teu sorriso

Etiquetas:

terça-feira, abril 03, 2007




coisas que acontecem



o tempo errado
o tempo certo
provavelmente só tempo
tempo que ninguém controla
que entra por nós adentro
com os seus trovões
com as suas chuvas
com o seu calor


coisas que acontecem


o cabelo que cai
a lágrima que desce
a mão que treme
o pulmão que não respira
o olho que se esfrega num tique
o estomâgo que teima em dar voltas
e voltas e voltas e voltas
o coração que estremece


coisas que acontecem


um cigarro que se fuma sem razão
um livro que se folheia pelo vento
um whisky que afoga a perdição
um pão com bolor que se leva à boca
um café quente que se entorna nas calças
um jornal rasgado na notícia que querias ler
uma carta que teima em não chegar
um poema que se escreve no grito da alma


coisas que acontecem


naquela infíma parte de todos nós
que não controlamos

Etiquetas:

segunda-feira, abril 02, 2007




as folhas amarelas caem

quando o vento as abraça

no murmúrio da tua voz

ilaçada de pérolas ferozes


no chão coberto pelo fogo

as linhas da tua sombra

tomam-se de vida agreste

como o mar toma-se de rio


aí nesse instante assombroso

as ruínas de um velho teatro

implodiram ao uivar de um lobo


o silêncio cobria o vento agora

e o movimento dos teus olhos

raspava muito ao de leve no meu braço

Etiquetas:

domingo, abril 01, 2007






a lágrima escorre pela face do mar

dançado eroticamente entre as algas

do teu corpo líquido de um azul

verde das tuas costas que no meu

ornato são mera quimera

onde os meus olhos lançam

rios sedentos da tua posição de musa

Etiquetas:

quinta-feira, janeiro 18, 2007




O ínico foi do fim nunca do próprio início quando tu serenamente mexias o café fazendo círculos geometricamente perfeitos e a tua mão não saía do teu joelho. Olhavas para a espuma do café, perdias nela o teu olhar inquiteto e o teu sorriso vesciral.



A minha presença era mais uma ausência.



Invejei ser a espuma de um café.



As palavras eram de silêncio.



Os gestos viciados.



Os sentimentos armazenados num baú perdido.




A conta veio pela mão do empregado mas o teu olhar já tinha
saído à muito tempo e pagei eu a conta.


Não era muito dinheiro mas era daquele café que não era eu mas a espuma do teu olhar.



Não tinha dinheiro comigo nem o teu nem o meu sorriso.



Não foi preciso o corpo para pagar.



Só um pedaço do meu coração.



Saí para a rua e perdi-me nos paralelos da cidade.

Etiquetas:

domingo, janeiro 07, 2007



O corpo é a prisão da alma...




já Platão dizia...




nem sempre a prisão mais bonita...




quando a beleza não atinge ambos os patamares




ficas a perder...

Etiquetas:

sábado, janeiro 06, 2007

Sinto-me...

Etiquetas:

domingo, dezembro 31, 2006


O mundo esta mais belo

O sol recusa-se a se deitar
cobrindo os nossos corpos de calor

Os rios estão tão calmos
e até é possível ver os peixes a dancar

A lua não se cansa de ser cheia
diz até que está grávida...

As estrelas ordenam-se todas na noite
simbolizando a eterna dança do amor

O vento recolheu-se numa caverna
e recusa-se a sair de lá

Nas cidades as máquinas pararam subitamente
e só é possível ouvir o som harmonioso de uma valsa

Nos campo as flores desabrocham
lançando no ar o amarelo do pólen

No mar os golfinhos dançam nas ondas
e encantam as crianças com a sua meiguice

O mundo está mais belo
O mundo está em harmonia

Porque tu existes!



tu sabes quem és meu anjo:)

Etiquetas:

segunda-feira, novembro 27, 2006



Que pode uma criatura senão,
entre outras criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?




Carlos Drummond de Andrade

Etiquetas:

domingo, janeiro 15, 2006

Pensamento ao acordar...


A ilusão do amor vive-se na sua ausência.
Entregamo-nos momentaneamente, mesmo que seja só de corpo, por menos do nosso valor.
Queremos mas não sabemos como obter esse afecto perdido das almas e corações estagnados.
Confundem-se os lençois quentes de uma cama de pensão com o calor do seus corações.
A lua cansada finalmente adormece e eis que acordam lado a lado duas flores.

- que horas são?
- meio dia.
- Uhm... que preguiça! (agarrando uma pétala que se desprende)
- Vamos tomar o pequeno-almoço? (diz já a rosa ao vestir-se)

And life goes on in that same coffee...



Etiquetas:

Movimento nocturno

Mais uma noite passada. Uma madrugada a ser vivida.

Caras, corpos, mãos, olhares em busca de braços que amparem a lágrima seca e invisível de seres que se movem ao som de uma música imperceptível.

A eterna busca que de certeza só tem a de não saber quando parar. Tempo e espaço incerto num universo em movimento contínuo e transcendente.

A tua cara não me é estranha. A tua mão sinto-a no olhar de outras pessoas.

Mexo-me não sei muito bem para onde, para quem...

Mas está aí alguém?

O copo está vazio e o teu hálito distante.

Um eco soa no chão das nossas almas!

E lá fora chove para bem da agricultura...


Etiquetas: